Felipe Rassi situa a ética como um elemento central na gestão de NPLs, especialmente em um mercado no qual a recuperação de ativos envolve pressão por resultado, leitura patrimonial detalhada e decisões com impacto relevante sobre empresas, credores e investidores. Em operações dessa natureza, a busca por eficiência não pode ser dissociada de critérios jurídicos, limites de atuação e cuidado com a forma como o crédito é conduzido ao longo da cobrança, da negociação e da eventual execução.
Em carteiras estressadas, a dimensão ética ganha importância porque o tratamento do passivo não afeta apenas números. Também estão em jogo reputação, segurança jurídica, qualidade da informação utilizada nas decisões e legitimidade das medidas adotadas contra o devedor. Por isso, a postura profissional nesse segmento precisa combinar firmeza técnica com respeito a parâmetros que evitem abuso, improviso e deterioração desnecessária do valor econômico do ativo.
Por que a ética ocupa posição relevante na gestão de NPLs?
A gestão de NPLs lida com créditos inadimplentes, garantias sensíveis e contextos de elevada tensão patrimonial. Esse ambiente pode incentivar condutas excessivamente agressivas, sobretudo quando a operação é tratada apenas pela ótica do resultado imediato. No entanto, a recuperação eficiente não se confunde com pressão desordenada, porque práticas mal conduzidas tendem a ampliar litígios, dificultar acordos e enfraquecer a consistência do processo.
No entendimento técnico de Felipe Rassi, a ética funciona como critério de qualidade da própria gestão. Quando a operação respeita limites jurídicos, organiza informações com transparência e evita expedientes incompatíveis com a boa-fé, a cobrança se torna mais previsível e mais sustentável.
Como a postura profissional interfere na condução da cobrança?
A forma de atuar influencia diretamente o resultado de uma carteira estressada. Comunicação imprecisa, ameaça mal calibrada, uso inadequado de dados e condução desorganizada da negociação podem comprometer tanto a relação com o devedor quanto a posição jurídica do credor. Em contrapartida, atuação técnica, documentação consistente e linguagem objetiva costumam produzir ambiente mais favorável à composição ou à execução eficiente do crédito.

Sob essa ótica, Felipe Rassi associa a postura profissional a método e disciplina. Isso envolve conhecer o contrato, compreender a extensão das garantias, avaliar o perfil do devedor e definir com clareza quais medidas são juridicamente adequadas em cada etapa. A ética, nesse contexto, não é um adorno abstrato, mas parte da estrutura que sustenta a credibilidade da cobrança e a racionalidade da recuperação de ativos.
Quais riscos surgem quando a ética é deixada em segundo plano?
Quando a gestão de NPLs ignora critérios éticos, aumentam os riscos de erro estratégico e de desgaste institucional. Cobranças excessivas, uso de informações sem cuidado, tentativas de constrangimento e decisões tomadas sem base documental podem gerar reação judicial, perda de confiança e redução da utilidade econômica da carteira. Em vez de acelerar o recebimento, esse tipo de conduta frequentemente encarece o conflito e prolonga a inadimplência.
Na leitura jurídica de Felipe Rassi, o problema se agrava porque o mercado de créditos estressados depende fortemente de reputação e previsibilidade. Credores, fundos e escritórios que atuam sem padrão profissional sólido tendem a comprometer não apenas uma operação específica, mas a percepção de confiabilidade do próprio trabalho. Por isso, a ética tem impacto direto na qualidade do portfólio e na estabilidade das relações negociais.
Por que ética e eficiência precisam caminhar juntas?
Há uma falsa ideia de que atuação ética reduz firmeza na recuperação do crédito. Na prática, ocorre o contrário em muitas operações complexas. Processos bem documentados, comunicação correta, uso responsável de informações e respeito aos limites legais criam um ambiente mais seguro para cobrar, negociar e executar. Isso melhora a qualidade das decisões e reduz a chance de medidas contraproducentes no curso da recuperação.
Na formulação técnica de Felipe Rassi, a gestão eficiente de NPLs depende da integração entre estratégia jurídica, disciplina operacional e conduta profissional compatível com a complexidade do mercado. Quando esses fatores caminham juntos, o crédito é tratado com mais racionalidade e menor ruído. É justamente essa combinação que permite recuperar ativos sem abrir espaço para fragilidades que poderiam comprometer o resultado econômico e a segurança da operação.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
