A valorização dos alimentos regionais pode contribuir para uma rotina alimentar mais equilibrada e apoiar a prevenção da obesidade. A orientação foi apresentada por uma nutricionista do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e à Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em conteúdo divulgado em 19 de outubro de 2026.
Segundo o Hospital Universitário Getúlio Vargas, a recomendação está relacionada ao Dia Mundial da Prevenção da Obesidade, lembrado em 11 de outubro, e ao Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro. A proposta é estimular escolhas possíveis no dia a dia, respeitando os hábitos, a cultura e a disponibilidade de alimentos de cada região.
Por que reduzir os ultraprocessados
O consumo frequente de produtos ultraprocessados merece atenção porque pode favorecer o ganho excessivo de peso. Entre os exemplos citados na orientação estão refrigerantes, biscoitos recheados e refeições prontas. Esses produtos podem aparecer com facilidade na rotina, especialmente quando a alimentação é organizada com pouco tempo, mas não devem substituir de forma recorrente os alimentos in natura ou minimamente processados.
A preocupação não se limita ao peso corporal. De acordo com a orientação divulgada pelo HUGV, o consumo frequente de ultraprocessados também pode elevar o risco de doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e hipertensão. Por isso, a prevenção depende da construção gradual de hábitos alimentares mais equilibrados, e não de uma mudança isolada ou de uma restrição aplicada da mesma maneira a todas as pessoas.
Como os alimentos regionais entram na rotina
Alimentos regionais podem ampliar a variedade das refeições e aproximar a alimentação cotidiana dos produtos disponíveis em cada território. A escolha desses ingredientes também valoriza práticas culinárias locais e pode facilitar a preparação de pratos feitos em casa, de acordo com os costumes de cada família.
A orientação não propõe uma lista única de alimentos nem uma prescrição individual. A ideia é priorizar, sempre que possível, alimentos in natura ou minimamente processados e diminuir a presença de produtos ultraprocessados nas refeições habituais. Essa combinação pode ser adaptada à realidade econômica, à oferta local e às preferências alimentares de cada pessoa.
Para o leitor, uma forma de aplicar o princípio é observar a frequência com que refrigerantes, biscoitos recheados e refeições prontas aparecem durante a semana. A partir dessa avaliação, é possível buscar alternativas preparadas com ingredientes regionais e organizar refeições mais variadas, sem transformar a alimentação em uma fonte de culpa ou exigir mudanças imediatas e radicais.
Prevenção envolve mais do que a alimentação
A obesidade é influenciada por diferentes aspectos da vida cotidiana. A abordagem apresentada pelo Hospital Universitário Getúlio Vargas destaca que a alimentação equilibrada deve ser considerada junto de outros fatores, como a prática de atividade física, a qualidade do sono e as condições de vida.
Esse contexto é importante porque o peso corporal não depende apenas de uma escolha feita à mesa. Rotina de trabalho, acesso a alimentos, renda, tempo disponível para cozinhar e oportunidades para praticar atividades físicas podem interferir nos hábitos. Por isso, orientações de prevenção precisam ser compreensíveis e compatíveis com a realidade das famílias.
Hábitos saudáveis desde a infância
A formação de hábitos alimentares começa cedo e pode ser estimulada no ambiente familiar. Refeições compartilhadas, quando possíveis, ajudam a criar momentos de convivência e permitem que crianças tenham contato com diferentes preparações e ingredientes. A participação da família também pode favorecer uma relação mais natural com a comida, sem associar alimentação equilibrada a punições.
O incentivo deve considerar a cultura alimentar de cada região e envolver escolhas acessíveis. Ao valorizar ingredientes locais e reduzir o consumo frequente de ultraprocessados, as famílias podem construir mudanças progressivas na rotina. Em caso de dúvidas ou necessidades específicas, a avaliação de um profissional de saúde é importante para orientar cada situação de forma individualizada.
A mensagem central da campanha é que a prevenção da obesidade pode ser trabalhada no cotidiano, com escolhas repetidas ao longo do tempo. Valorizar alimentos regionais, variar as refeições e observar a frequência dos ultraprocessados são medidas que se somam à atividade física, ao sono adequado e à atenção às condições de vida.
