Excesso de exames pode prejudicar o cuidado ao idoso? Saiba agora com o Doutor Yuri Silva Portela

Federico Valdori Por Federico Valdori
Yuri Silva Portela

A realização de exames, como destaca Yuri Silva Portela, médico pós-graduado em geriatria, é uma parte importante da prevenção e do acompanhamento de diferentes condições de saúde, mas a quantidade de procedimentos solicitados não determina, por si só, a qualidade do cuidado. Especialmente durante o envelhecimento, uma avaliação adequada precisa considerar o conjunto de informações clínicas de cada paciente, incluindo sintomas, histórico de saúde, medicamentos em uso, nível de funcionalidade e necessidades individuais.

A partir dessa análise, a escolha dos exames pode ser direcionada às questões que realmente precisam ser investigadas, tornando a avaliação mais objetiva e alinhada ao contexto de cada pessoa. Dessa forma, o acompanhamento médico não se resume à realização de uma lista extensa de procedimentos, mas à utilização de recursos que possam contribuir de maneira relevante para a compreensão e o cuidado com a saúde.

Por que fazer mais exames não significa cuidar melhor?

Exames são ferramentas para investigar suspeitas, acompanhar doenças ou avaliar determinados riscos. Quando solicitados sem uma questão clínica clara, porém, podem produzir resultados que precisam ser interpretados dentro de um contexto. Um resultado alterado nem sempre significa que exista uma doença relevante. Por isso, a interpretação deve considerar o conjunto de informações clínicas do paciente, e não apenas um valor isolado.

Além disso, uma alteração encontrada por acaso pode desencadear novas investigações. O paciente pode passar por outros exames, consultas e procedimentos para esclarecer uma informação que inicialmente não apresentava relação importante com sua saúde. Esse processo pode gerar ansiedade e intervenções desnecessárias quando a descoberta não apresenta impacto relevante sobre a condução do cuidado.

Conforme informa o Doutor Yuri Silva Portela, isso não significa que exames sejam dispensáveis. O ponto está em estabelecer uma finalidade para cada solicitação. A pergunta mais útil não é quantos exames serão realizados, mas o que determinado resultado poderá acrescentar à avaliação daquele paciente. Uma investigação bem direcionada permite utilizar os recursos disponíveis de forma mais criteriosa e manter o foco nas necessidades reais do paciente.

O que pode acontecer quando uma alteração é encontrada? Veja com o Doutor Yuri Silva Portela

Um resultado fora do esperado pode gerar preocupação, mesmo quando a alteração é pequena ou não representa um problema significativo. Dependendo da situação, isso pode levar a novas investigações e aumentar a ansiedade do paciente e da família. Por isso, qualquer alteração precisa ser analisada de acordo com o histórico, os sintomas e as demais condições de saúde da pessoa.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

O Doutor Yuri Silva Portela ressalta que também existe o risco de concentrar a atenção em um número do exame e deixar de observar aspectos importantes da vida cotidiana. Um resultado laboratorial pode ser normal, por exemplo, enquanto a pessoa apresenta uma perda progressiva de mobilidade ou dificuldade para realizar tarefas que antes executava sozinha. Observar essas mudanças ajuda a complementar os dados dos exames e a identificar necessidades que não aparecem necessariamente nos resultados laboratoriais.

Como definir quais exames realmente fazem sentido?

A decisão depende da situação de cada pessoa. Idade, histórico médico, sintomas, medicamentos utilizados e condições já diagnosticadas podem modificar a necessidade de determinada investigação. Por isso, o mesmo exame pode ser indicado para um paciente e desnecessário para outro. A indicação individualizada ajuda a direcionar a investigação para questões que realmente podem contribuir para o acompanhamento da saúde.

Também é importante considerar o que será feito diante de um possível resultado. Se uma alteração for encontrada, haverá uma conduta capaz de melhorar o cuidado? Essa pergunta ajuda a estabelecer uma relação mais clara entre a investigação e o benefício esperado para o paciente. Pensar previamente nas possíveis consequências de um resultado também permite avaliar se os benefícios do exame justificam sua realização.

Doutor Yuri Silva Portela elucida, dentro da perspectiva geriátrica, a importância de avaliar o indivíduo de forma abrangente. Isso significa utilizar exames como parte do raciocínio clínico, e não como substitutos da conversa com o paciente, da avaliação física e da compreensão de sua rotina. Essa combinação de informações contribui para decisões mais alinhadas às condições, necessidades e objetivos de cada pessoa.

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