A cozinha caipira ocupou o centro da gastronomia paulistana durante a 7ª edição da Feira Gosto.Sa. Realizado nos dias 26 e 27 de setembro de 2026, o evento levou o tema “Finíssima Caipira” à Unibes Cultural, no bairro do Sumaré, zona oeste de São Paulo. A programação teve entrada gratuita e reuniu mais de 60 expositores.
Entre os participantes estiveram restaurantes, produtores artesanais, queijarias, cervejarias e marcas de alimentos. A variedade mostrou que a cozinha caipira pode ser apresentada não apenas como uma herança associada ao ambiente rural, mas também como uma frente ativa da gastronomia contemporânea, conectada a novos públicos e ao consumo na capital paulista.
As informações sobre datas, endereço, proposta e participantes foram divulgadas pela CNN Brasil, em reportagem publicada na área de Viagem & Gastronomia. A presença da feira na programação da instituição também foi indicada pela Unibes Cultural.
Ingredientes e saberes do interior em São Paulo
A proposta da Feira Gosto.Sa foi aproximar o público paulistano de ingredientes, receitas e modos de fazer relacionados ao interior de São Paulo e a outras regiões do Brasil. Em vez de tratar esses elementos apenas como referências do passado, o encontro os apresentou por meio de produtos, pratos e experiências gastronômicas disponíveis para os visitantes.
Esse recorte também colocou pequenos produtores e negócios artesanais em evidência. Queijos, pães, doces, bebidas e preparos inspirados na cozinha caipira apareceram ao lado da atuação de restaurantes e cozinheiros. A feira, assim, funcionou como um ponto de encontro entre quem produz em menor escala e consumidores interessados na origem dos alimentos e nas tradições que eles carregam.
Entre os nomes mencionados na divulgação estão o Celeiro Arimbá, da chef Angelita Gonzaga, o restaurante Maria Augusta, a Santiago Padaria Artesanal e o Bar Sardosa. A programação também contou com representantes de queijarias, cervejarias e produtores de doces e outros itens artesanais, compondo uma seleção que ultrapassou a ideia de uma feira dedicada a um único tipo de produto.
Curadoria valoriza a cultura alimentar brasileira
A curadoria foi assinada pela jornalista e pesquisadora de cultura alimentar Patrícia Moll, em parceria com Maurício Schuartz, idealizador da Feira Gosto.Sa, e o produtor Viktor Ortega. A participação de profissionais ligados à pesquisa, à produção cultural e à organização do evento ajuda a explicar o esforço de apresentar a cozinha caipira dentro de um contexto gastronômico atual.
O tema “Finíssima Caipira” sugere justamente esse diálogo entre tradição e contemporaneidade. A expressão não abandona os vínculos com o campo, com as receitas regionais e com os ingredientes conhecidos no interior, mas amplia a forma como esses elementos podem ser percebidos na cidade. O resultado é uma abordagem que relaciona memória, território, produção artesanal e experiência à mesa.
De acordo com a divulgação da própria Feira Gosto.Sa, a edição apresentou informações sobre expositores, horários, endereço e acesso gratuito. A comunicação do evento reforçou a intenção de reunir diferentes representantes da cadeia gastronômica em um mesmo espaço, com participação de restaurantes, produtores e marcas artesanais.
Uma leitura paulistana da cozinha caipira
Ao levar essa produção para a Unibes Cultural, a feira inseriu a cozinha caipira no circuito gastronômico de São Paulo sem desvinculá-la de suas origens. O encontro permitiu que o público tivesse contato com alimentos e preparos associados a diferentes territórios, ao mesmo tempo em que revelou como esses saberes continuam sendo reinterpretados por empreendedores e profissionais da gastronomia.
A iniciativa também evidencia uma característica da cena gastronômica paulistana: a capacidade de reunir em um mesmo evento referências regionais, negócios independentes e propostas de consumo contemporâneas. Nesse contexto, a Feira Gosto.Sa 2026 se destacou por transformar a cultura alimentar caipira em tema de convivência, descoberta e valorização de produtores.
Mais do que uma agenda de restaurantes, a 7ª edição apresentou uma seleção dedicada à permanência de técnicas, ingredientes e receitas brasileiras. A partir da conexão entre interior e capital, o evento reforçou que a cozinha caipira pode ocupar novos espaços sem perder a relação com os territórios e com as comunidades que mantêm seus modos de fazer.
